Teria o filósofo alemão F. Nietzsche “matado Deus”? Ou foram os religiosos e as religiões? É possível haver uma cartilha que nos ensine sobre Deus? O Homem criou Deus para fugir da solidão e da insegurança de uma vida que não consegue entender? Deus criou o Homem para castigá-lo? Qual a finalidade da Criação? O que é a Verdade? A questão da Verdade, da existência ou da não existência de Deus, entrelaçada numa briga inócua com a ciência, não passa de estéril discussão, associada há muita hipocrisia. A religião e a ciência abrigaram seitas urdidas por espertalhões gananciosos, profetas da última hora, leigos que se apresentam como missionários do bem, messias televisivos das “certezas científicas”, notadamente idiotas!
Segundo Bakunin (filósofo alemão), “as leis naturais – que fazem a ciência – são aceitas por todos e regem a vida individual e da sociedade, sendo, portanto, o verdadeiro fundamento para um novo modelo de vida. Ciência e religião são opostos e a ignorância da ciência teria sido o motor gerador das crenças mais remotas em nossos antepassados”. A religião e a ciência são feitas por pessoas que optam por segui-las, portanto, as pessoas envolvem-se, agitam-se e fecham-se em convicções, por vezes, toscas, ultrapassadas, imbecis. Estabelecem dogmas e deixam-se levar por (pre)conceitos que de certa forma, aliviam suas próprias responsabilidades de agir e pensar com tolerância, equilíbrio e sensatez.
É preciso reavaliar o tempo, a História, o contexto e colocar em pratos limpos que Deus/Energia/Ciência/Conhecimento, seja lá como você chama o que te conforta, te abriga, te proporciona paz e segurança, não são propriedades de ninguém; tampouco são verdades absolutas; são excludentes ou não. Mas, tudo isso, também não é relevante: a humanidade está enfastiada de dogmas e de especulações, que ora fortalecem teorias materialistas, onde Deus não existe, ora fortalecem teorias espiritualistas, onde Deus é o centro de todas as explicações e disto resultam combates recíprocos, que perturbam mais do que auxiliam os Homens… Assistimos a decadência do Homem, pois, o espírito humano e a sociedade estão mergulhados na indiferença.
Somos espíritos imortais, destinados à evolução degrau por degrau, vida após vida; porque assim renascemos, reaprendemos e nos reconciliamos com a liberdade, a justiça e existência. Não será através de ritos e palavras que poderemos livrar-nos dos nossos erros. A religião e a ciência deveriam servir para libertar o Homem tanto do materialismo, quanto do “religiosismo”… A libertação, penso/creio, é a democratização da justiça social. Por isso gostei muito de ler e ouvir “O Pai Nosso de Sevilha”, uma oração reflexiva que, simultaneamente, celebra a existência, o compromisso e a responsabilidade social. Leia com atenção…
“O pai nosso que estás nos céus” e na terra que está morrendo e nos olhos das crianças que não têm pra comer/ “Santificado seja teu nome” e que todo mundo saiba de Tua mão generosa, de Tua força e de Teu poder / “Venha a nós o teu reino” e que brilhe o mais limpo, o melhor, o mais puro… O melhor de nosso ser/ “Faça-se a tua vontade” e se leve o lixo, a violência e a mentira até desaparecer/ “Assim na terra como no céu”. Protege-nos Senhor. Ajuda-nos Senhor./ “Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia” e que a natureza se reparta entre o povo de maneira natural/ “E perdoa nossas ofensas” como Tu nos ensinaste a querer a Teus irmãos e a saber perdoá-los/ “Assim como nós perdoamos aqueles que nos ofendem”. Nos ofendem a injustiça, os tiranos, os covardes, os racistas e a dor./ “Não nos deixa cair em tentação”. Nem permita que adoeça o bonito, o cristão, nem o amor do coração / “E livra-nos do mal”. Bendiga-nos Senhor! Escuta-nos Senhor! Amém”. (do Grupo Siempre Así).
Cláudio Zumaeta – Historiador graduado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC, Ilhéus – BA) Administrador de Empresas graduado pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL, Salvador – BA). Especialista em História do Brasil (UESC, Ilhéus – BA).
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