O presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna, Ruy Machado, em entrevista ao Agora, espalha otimismo sobre o futuro do sul da Bahia. O edil destaca que “tudo aquilo que o governo federal propôs aqui para Itabuna e para a região sul começou a sair do papel”, não deixando de citar exemplos: a ferrovia Oeste-Leste, o novo porto, a universidade federal, com sede e campus principal em Itabuna, a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna e “dezenas de pequenas indústrias”. Estas seriam implantadas como consequência natural desse conjunto de intervenções na socioeconomia regional.
Voltando à terra, o vereador diz ser concreta a possibilidade de a Câmara de Itabuna (que “sofreu certo desgaste nos últimos anos”, admite) recuperar a boa imagem, pois “agora vive um novo momento”.O vereador Ruy Machado, com discurso modelo líder de oposição, reverbera as queixas mais recorrentes da sociedade itabunense, ao afirmar que “o povo já está cansado de tanto escândalo e falta de projetos em seu benefício”.Concordamos com o dirigente, sobretudo quanto a esta última parte: a Câmara de 2011 ultrapassou todos os limites de “malfeitos” que nossa boa vontade poderia lhe conceder.
Gostaríamos, porém, de compartilhar das mesmas convicções quanto ao pacote de obras que “começou a sair do papel”.Nada nos autoriza a dizer que os projetos da estrada Ilhéus-Itabuna e do novo porto estejam bem encaminhados, da mesma forma que o Complexo Porto Sul, de tantas incertezas sobre seus efeitos ao meio ambiente, nos deixa também incertos quanto à sua implantação imediata. Nota-se que a atual geração de prefeitos regionais parece muito capacitados a ouvir promessas “que vêm de cima”, mas muito contemplativos quanto a reivindicar efetivas melhoras para a população.
Sem poder de reivindicar, e sem imaginação para apresentar projetos técnicos viáveis, ficamos na dependência da“bondade” dos governantes estaduais e federais, o que contribui para acentuar nosso atraso. Nesse quadro, o discurso do vereador Ruy Machado nos remete a Voltaire (Cândido ou o otimismo): este é o melhor dos mundos possíveis.
Samu regional
O Samu, serviço de urgências médicas de grande significado social, passará a ser exercido em Itabuna com caráter regional. Isto quer dizer que o serviço vai requerer ponderável soma de recursos, para adquirir as condições necessárias ao atendimento da demanda de vários municípios da região. Recursos não apenas financeiros, mas na forma de pessoal especializado.
Tecnicamente, a medida parece adequada. Mas é necessário ter em conta que a saúde pública vem sendo conduzida de maneira atabalhoada (para não dizer pior) nos últimos anos – e o Samu não conseguiu firmar-se como exceção. Agora, com as responsabilidades aumentadas, aumentam-lhe também as verbas de investimento e custeio, nada ruim para o governo local.
Mas é necessário que, ainda no nascedouro do projeto, seja bem aclarada a parte de custos que cabe aos municípios compactuados. É que, mesmo federal, o Samu consome não desprezível parcela de recursos municipais (a chamada contrapartida), ônus que não pode ser deixado, em sua totalidade, sobre o erário itabunense.
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