A Renascença: uma concepção do homem moderno

O século XVI pode ser considerado um período de profundas transformações no pensamento da humanidade. Questões consideradas imutáveis são postas abaixo, e as verdades religiosas ficam em situação embaraçosa principalmente com a descoberta da América. Que créditos seriam dados às teorias do Gênesis, ou às teorias de Ptolomeu sobre o globo terrestre?

A Igreja ainda sofreria uma crise maior neste século, com a divulgação das ideias luteranas que se difundiram rapidamente pela Europa: em 1517, dois anos antes de Fernão de Magalhães (1480-1521) empreender sua volta ao mundo, Lutero (1483-1546) afixou suas 95 teses na porta da abadia de Wittenberg, desencadeando o movimento da Reforma, que se estenderia muito rapidamente pela Europa.

Ainda assim, a Igreja relutaria com a Contra-Reforma e a ordem dos jesuítas, fazendo valer os dogmas sagrados com a sua maior ameaça: a Santa Inquisição. Esses dogmas sagrados estavam tão sedimentados no pensamento da época, que até mesmo alguns protestantes ergueram fogueiras e recusaram, ao menos num primeiro momento, as novas idéias.

 A destituição da escolástica (pensamento cristão da Idade Média, baseado na tentativa de conciliação entre um ideal de racionalidade e de revelação divina) gera uma crise de credulidade na Europa, superior até ao período da Idade Média, pois, as idéias pregadas no período da escolástica, como por exemplo, o geocentrismo, se desfazem e criam uma atmosfera de irracionalismo, com a predominância das práticas de magia.

No período da Renascença (séculos XV e XVI), a Itália tornou-se o reduto de intelectuais foragidos. Os bizantinos, por exemplo, com a perseguição turca, deslocaram-se para a Itália despertando na Europa o entusiasmo pelos textos gregos. Além disso, as cidades italianas (Gênova, Veneza, Florença e Milão principalmente) serviam de acolhida, pelo enriquecimento gerado com o ressurgimento do comércio, suscitado, sobretudo depois das Cruzadas (séculos XII a XIV).

Mecenas (burgueses patrocinadores dos artistas) como Cosimo de Médici e o cônego Marsílio Ficino tornaram o desejo de ver Florença como centro da acolhida de sábios bizantinos uma realidade. Obras de Platão foram traduzidas e o interesse pelo neoplatonismo e pelo hermetismo foram retomados. O gosto pelo ocultismo é desenvolvido e novas idéias são conhecidas influenciadas por Hermes Trismegisto, ou até mesmo outros conceitos trazidos pelos judeus da Espanha. Outro aspecto bem desenvolvido desse período é a curiosidade. A vontade de conhecer que levaria às grandes descobertas (século XV) fez gerar a preocupação pela observação empírica, pela produção de instrumentos mais sofisticados e etc.

Dessa maneira, o conhecimento ganhava mais desenvolvimento e público. A partir do surgimento da imprensa, as obras literárias têm maior acesso e as universidades ganham força, sobretudo nos países protestantes da Europa: as universidades tiveram um papel ainda modesto no século XVI, mas, adiante promoveriam consideravelmente o progresso do saber.

O desenvolvimento das ciências, principalmente a astronomia, ocorre nesse período, porém, a influência ameaçadora dos dogmas da Igreja é ainda forte, a exemplo de Giordano Bruno: suas idéias logo foram ‘purificadas’ através das chamas em 1600. Sabe-se que a mais importante figura do campo astronômico foi mesmo o pioneiro destes teóricos: Nicolau Copérnico.

Assim sendo, o século XVI mostrou-se como um período conturbado, de reviravoltas que transformaram o mundo moderno. A concepção do homem renascentista fora uma grande ferramenta para o entendimento do homem moderno; uma vez que aquele ansiava por liberdade, racionalidade e objetividade.

 

Cláudio Zumaeta

- Historiador graduado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC, Ilhéus – BA)  Administrador de Empresas graduado pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL, Salvador – BA). Especialista em História do Brasil (UESC, Ilhéus – BA). Mestrando em História Regional e Local (UNEB Campus V, Santo Antonio de Jesus). Membro da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL).

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