Aneurisma de aorta abdominal

Aneurisma é uma dilatação anormal, localizada e permanente de uma artéria em conseqüência de um enfraquecimento de sua parede, ou de uma solicitação anormal sobre a estrutura da parede da artéria. A incidência de aneurisma de aorta abdominal (AAA) tem aumentado nos últimos anos e acredita-se que isso se deve a três fatores:

  • Aumento da vida média, aumentando o percentual de pessoas idosas.
  • Aparecimento de métodos diagnósticos menos invasivos e mais eficazes.
  • Maior conhecimento sobre essa doença pelos médicos.

Por outro lado, o maior conhecimento da doença e o tratamento cirúrgico eletivo, trazem benefícios importantes para o paciente e o não tratamento pode levar a uma mortalidade muito elevada. É importante causa de morte entre homens acima de 65 anos. É localizado na região infra-renal e sua bifurcação em artérias ilíacas. É o tipo que ocorre com maior freqüência. 

Em 95% dos casos o AAA ocorre abaixo das artérias renais e está associado à doença aterosclerótica da aorta. Observações clínicas recentes dizem que ele se desenvolve por alteração do sistema conjuntivo da parede arterial. Fatores de risco: Tabagismo, Hipertensão Arterial e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica.

É de evolução silenciosa, não apresentam sintomas e são descobertos durante um exame clínico por métodos não invasivos. É normal os sintomas aparecerem quando o aneurisma fica grande, causa “sensação de coração na barriga”, ou quando comprimem e corroem estruturas vizinhas, causando “dor e desconforto abdominal”. Os sinais e sintomas, quando há complicações, são: -Trombose ou embolia das artérias abaixo do aneurisma (dor forte nas pernas por falta de sangue); -Rotura do aneurisma (complicação mais freqüente). O aneurisma pode romper para:

1-Veia cava ou veia ilíaca: edema importante em membros inferiores, com queda de pressão arterial e insuficiência cardíaca.

2-Para o intestino: ocorre queda de pressão e sangramento, pela boca ou pelas fezes, podendo causar a morte.

3-Para o peritônio: queda de pressão com grande sangramento para dentro da barriga, dor na barriga e morte do paciente - geralmente morte súbita.

4-Para o retroperitônio: forte dor nas costas, com progressão para os testículos, queda de pressão e pode levar à morte se não for atendido rapidamente. Muitos pacientes morrem antes de chegar ao hospital e somente 30% sobrevivem dos que conseguem ser operados.

Esse tipo de aneurisma ocorre mais em pacientes acima dos 55 anos, predominando no sexo masculino (4 x mais que o feminino). É importante salientar a lembrança de exame clínico em pacientes acima dessa idade. Há um grande número de pessoas que não sabiam ser portadores dessa doença. Também é bom lembrar que, em estudo recente, os familiares das pessoas com diagnóstico de aneurisma têm mostrado uma prevalência maior dessa doença.

Normalmente o diagnóstico é acidental. No exame clínico, uma palpação cuidadosa pode demonstrar uma massa expansiva indicativa da doença ou durante exames de ultrassom ou tomografia abdominal. É importante que se saiba também quando há suspeita de aneurisma: a)-sua localização, principalmente em relação às artérias renais; b)-seu tamanho (comparando com a aorta acima das artérias renais); c)-sua extensão (se fica limitado à aorta ou engloba também as artérias ilíacas); d)-a “qualidade” da parede da artéria; e)-se existe ou não trombos no seu interior. Como são vários os métodos no diagnóstico, é bom recorrer ao ultrassom, ecocolordoppler, tomografia computadorizada, angio-ressonância magnética e aortografia.

O tratamento pode ser cirúrgico ou não. Quando pequeno pode ser acompanhado por ultrassonografias periódicas para avaliar a velocidade de crescimento. Se apresenta 5cm ou mais de diâmetro o tratamento deve ser cirúrgico, se as condições clínicas do paciente permitirem. O mesmo vale para quando há crescimento rápido do aneurisma. A cirurgia pode ser convencional (índice baixo de complicações) ou endovascular (desenvolvida na década de 90 e feita através de uma simples incisão na virilha). Na primeira a alta é entre 6 e 7 dias, depois repouso por mais 7 dias, retirada dos pontos e com mais 30 dias retorno às atividades habituais. Na endovascular faz-se uma pequena incisão na virilha e, através da aorta femoral, substitui-se o segmento dilatado. É mais simples que a convencional e com recuperação mais rápida. O índice de complicações na cirurgia do aneurisma da aorta abdominal é baixo (5%). As principais intercorrências na cirurgia são: hemorragia, infarto do miocárdio, insuficiência renal, complicações pulmonares, AVC, trombose de artérias intestinais e de membros inferiores e paraplegia.

 

Dr. Vasco Lauria da Fonseca Filho

(*) Angiologista e Cirurgião Vascular-Rio de Janeiro-RJ

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